Search
IMG_3832

A fotografia que rouba a cena

Há pouco menos de 15 anos, quando a gente só tinha à disposição as tradicionais câmeras com filmes fotossensíveis, havia uma rigorosa economia no ato de fotografar. E como havia! Lembro que durante as viagens minha máquina ficava a maior parte do tempo na mochila, esperando a hora e o local exatos para ser sacada e produzir lembranças raras e preciosas.

Fotografar era caro e não era pra qualquer mortal. E não apenas porque era preciso comprar filmes de 12, 24 ou 36 poses, ASA 100, 200 ou 400, que depois tinham de ser revelados em laboratório. Havia ainda o custo das ampliações coloridas. Acredite se quiser mas já vivemos numa era assim.

As melhores imagens de nossas viagens acabam incrementando nossos perfis no Facebook e transformando-se em tema de comentários e mais comentários dos amigos de nossos amigos. Smartphones, hoje, tiram fotos que rivalizam com câmeras profissionais do século passado, e podem ser postadas instantaneamente via Twitter ou via Facebook no momento em que são sacadas, mesmo que a gente se encontre do outro lado do mundo. E elas ainda vêm com as coordenadas GPS embutidas.

Loucura, não é? Sim, mas só até certo ponto. Todas essas facilidades potencializam nossa tendência de guardar o maior número de recordações turísticas, e podem até estragar momentos-chave para alguns viajantes. Há pouco tempo atrás, em uma viagem ao Chile subindo ao Valle Nevado um turista sentado ao meu lado com um smartphone gastava seu prazer de olhar as vistas para simplesmente torrar nossa paciência com um barulho irritante de vidro quebrado cada vez que dava um clique. Ainda que nem sempre a situação seja tão irritante, é fato que muita gente gasta mais energia de trás das lentes do que verdadeiramente desfrutando dos lugares por onde passa. E essa vontade de congelar o momento único, de provar que estivemos lá, acaba sendo multiplicada por nosso crescente vício de interação através das redes sociais.

Apesar de a tecnologia nos deixar malucos e vidrados, não tenho e não posso negar que câmeras, celulares, Facebook e Twitter são um irresistível convite à compulsão. Por isso e por outros motivos, tome cuidado para que a fotografia digital não roube parte de seu autêntico prazer de viajar.



Denise

Designer - tem paixão pela Apple e seus produtos desde quando adquiriu seu primeiro primeiro iPhone em agosto de 2007 e logo depois um iMac em dezembro de 2008. Possui hoje um MacBook Pro unibody de 13'3 polegadas, um iPhone 4 16 gb nacional, um iPad 16 gb.


One thought on “A fotografia que rouba a cena

  1. Leandro

    e sem contar quando a foto queimava?que loucura!!!as vezes a que queimava era realmente a sua melhor foto….dava pena!!!!e revelar que não era nada barato…viva os smartphones e as cameras digitais.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *